Ao meus pais que se foram!

In Memorian
Vera Jarude

Interpretação:Astir*Carr

 

 
Aos meus pais que se foram, externo aqui, minhas saudades.
Saudades de vocês seres especiais, cada um
com a sua maneira de amar,  um,
tão desprovido de bens materiais e o outro,
tão preocupado em deixar-nos um pouco para
recompensar sua distância.
Pai que criaste esta criatura, aqui que te homenageia, mesmo em teus momentos mais desprovidos, te apoiava, por ser você tão caridoso, por ser tão humano, sempre fazendo e doando
o que tivesse, sem pensar se no amanhã terias ou não!
Eras tu, ser especial, que em todos os momentos tinhas uma palavra de carinho para com o  próximo,
Eras tu, pai, que nos ensinava que na vida ninguém é melhor que o outro, que no peso da balança e na peneira do tempo, ganhava sempre o mais simples e humano.
Eras tu pai, filósofo na sua humildade, que nos ensinava que na nossa mesa quem chegasse
com fome, que sempre teria um prato ao nosso
lado...
Eras tu, pai, que nos ensinava que olhássemos sempre em volta e, ao  alcance de nossa visão, encontraríamos o próximo esperando nosso
olhar, mesmo que fosse só para dizer que podia
contar com o pouco e, tanto que nunca nos
faltou.
Eras tu pai, danado, que sempre dizia, que se
chegasse alguém se dizendo seu filho, que não os questionasse, pois poderiam ser mesmo!
Eras tanto pai , que hoje onde tu estiveres,
saberás que todas as orações que fazias por nós,
nos ajudaram muito nas maldades...
 sentimos tanto tua falta e  a saudade é demais.
Saibas tu, pai , que criastes a mim e ajudastes a criar meu filho, que hoje te homenageamos,
como pai, no sentido literal, como se
aqui ainda conosco estivesses e vai
sempre estar, mesmo que seja em orações, jamais esqueceremos você.
Obrigada por tudo que fostes, criatura
humana, por demais, não
só com os teus, mas com todos...
e em todos os momentos.

 

 
Ao meu pai, biológico, dedico meu amor e te
reverencio, na forma mais sublime, não pela
presença constante, mas pelo sofrimento da busca desta filha, que o destino separou.
Hoje eu sei pai, das tuas buscas constantes e, que por maldade, esconderam todas as cartas para que não nos encontrássemos.
O amor venceu, tanto tu me procuravas, como eu a você, foram tantas embaixadas e tantos
consulados...e o encontro aconteceu!
Foi doído demais, depois de 34 anos, nos
vermos durante somente 15 dias,  que
valeram mais que o tempo que te busquei tanto.
Foi como se nunca você de mim longe vivesse, a intensidade do amor era a mesma como se ao teu lado sempre vivesse e com
a tua proteção tivesse crescido.
Foi doído sim, tu falavas uma outra língua que eu nunca entendia e com um pequeno dicionário íamos formando frases,
como se criança eu fosse, só que na linguagem
dos que se amam, não existem barreiras, era como se só tua presença já acalentasse este coração que tanto quis chamar-te :
PAI e dizer-te, que
independente da tua presença, eu sempre te amei e, certeza eu tinha do quanto tu amavas esta filha, que aos três anos
de ti teve que partir.
 
Pai distante, tão diferente do pai
presente, mas que foram amados e a
saudade é a mesma,
sintam vocês, onde estiverem,
que Deus colocou um e outro,
para fazer o melhor dos pais.
 
Obrigada, por ser o que sou.
 Foram vocês os criadores da nossa índole.
Que Deus os guarde, quem sabe
um perto do outro, e que vocês
possam conversar a linguagem
da gratidão.
 
Cuiabá-MT., 13/08/2006
 

 

Arte e Formatação: Vera Jarude

 

 

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